quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

É isto que eu devia estar a escrever na época natalícia?

Era por esta altura que eu devia fazer uns posts sobre:
- a minha wishlist de natal que inclui carteiras de 2000 euros e relógios de 5000
- as decorações em casa, com foto da árvore de natal incluída
- os centros comerciais estarem cheios e de como é uma vergonha, que parece que não há crise (apesar de EU também andar nos CCs e a gastar dinheiro à louca em prendas)
- o facto de eu andar aflita porque ainda me falta comprar umas tantas prendas e - ai, deus - mais uma vez a questão dos CCs.
- o sítio onde vou passar a véspera e cada um dos familiares pançudos que se vão juntar à festa
- como eu desprezo o consumismo da época e que o natal é paz e amor e família, mesmo por cima do post da minha wishlist de milionária wanna-be.
- o meu gosto ou irritação pelas musiquinhas de natal, a programação da tv, os postalinhos em massa que os colegas de trabalho enviam.
- os trezentos quilos a mais que engordarei estes dias e que me vão obrigar a uma dieta espartana e muitas horas de ginásio em janeiro.
Era, não era? Mas não vai ser. Para isso, há ali ao lado uma lista de blogs que têm links para outros blogs e todos eles já fizeram esses posts por mim.
Mas eu prometo que vou tentar (mas só tentar!) andar de máquina em riste a consoada inteira a tirar fotos dos doces, do bacalhau, do meu outfit de festa e de todos os presentes que receber (menos os que eu fôr trocar, claro!). Provavelmente andarei demasiado ocupada a dar atenção à minha família, sentada à mesa durante horas a rir a conversar, a embrulhar e desembrulhar presentes, a dar umas caminhadas para "desmoer" o almoço e o jantar e arranjar espaço para mais um sonhos. Mas eu prometo que vou tentar.
Bom natal a todos!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Jobs for the... black sheep

No país dos boys socialistas, as cunhas mais descaradas que eu conheço são as do Bloco de Esquerda. Deve ser o caviar misturado com a ganza...

sábado, 4 de dezembro de 2010

O frio e o fim das relações

Parte I:
Sair à noite com o jovem. Ir assim gira e sexy. De vestido e meias de ligas. Humm... ligas se calhar não. Entra-me o frio pelo vestido. Aliás, um vestido já por si não é boa ideia. E tirar agora a roupa com que se andou o dia todo e se está quentinha para vestir outra coisa qualquer que há-de estar gelada? Nããããã... eu também estou gira de calças de ganga e camisolão quente com decote pelo pescoço, não é?
Parte II:
Já que não se muda de roupa, ao menos faz-se uma maquilhagem bonita. Uns olhos pretos, esfumados. Faltam 15 minutos para ele chegar. "Eu arranjo-me rápido, não sou como aquelas gajas que demoram 3 horas. Além disso nem vou trocar de roupa. 10 minutos chegam". E fica-se mais um bocado no sofá, tapadinha com uma manta. Quentinha. Faltam 10 minutos. "Também consigo despachar-me em 7 minutos". Faltam 4 minutos. "Já não dá. Vou sem maquilhagem. E não faz mal. Depois não tenho trabalho a tirá-la". Fica-se no sofá mais um pouco.
Parte III:
Telemóvel toca. É o jovem. "Estou aqui à porta, desces?" "Eeerrr... queres mesmo sair? fazes assim muita questão? É que está tanto frio...."
Isto para não falar de outras situações ainda mais complicadas e que são a verdadeira sentença de morte:
1. Os quilos que se ganham por chocolate a mais e saídas a menos.
2."Nesta posição não que fico com o rabo gelado", "Espera lá que o cobertor está a escorregar e estou a apanhar frio nas costas", "AAAAAAAhhhhhhhhhhh, tens as mão num gelo".

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Os don'ts do engate - guia para quarentões

Quarentões que me lêem (não devem ser muitos, nem o meu pai sequer, mas pode ser que haja um passa palavra), quando quiserem entrar nas artes do engate a miúdas mais novas, por favor tenham alguns cuidados. Por isso, na primeira conversa, aquela que abre as hostilidades, evitem:

1. Dizer ao vosso alvo que ela tem o nome da vossa filha. Não sei, mas se calhar pode revelar algumas tendências incestuosas mal reprimidas.
2.Dizer que a vossa filha tem 20 anos, praticamente a idade do alvo. Que irá acontecer num eventual futuro, o alvo e a vossa filha vão tornar-se "melhores amigas para sempre"?
3. Dizer que já são avôs. Isso fará o quê do vosso alvo? Candidata a avó?
4. Engatar no local de trabalho. É que dá nas vistas e depois acabam por ser a chacota durante a hora de almoço.
5. Dizer que todos os dias perdem duas horas no trânsito, uma para cá, outra para lá. É que só revela a estupidez de quem não anda de transportes públicos ou não muda para o centro da cidade. Mas, pelo menos, explica o porquê do engate no local de trabalho: é que o tempo que perdem no trânsito não lhes permite ter tempo para engatar noutros lados mais inócuos.

É que se não respeitam estes don'ts, arriscam-se a ouvir assim metido à pressão um "pois, eu saía consigo, mas nesse dia vou assinar a escritura da casa que comprei com o meu namorado, aquele que se mudou este fim-de-semana lá para casa. E no dia seguinte vou falar com o padre para reservar a igreja. Estou mesmo com uma agenda complicada. Senão eu ia, pois claro que ia..."

P.S. Os próximos don'ts serão para empregados de mesa que acham que podem abordar alguém no meio da rua, dar dois beijinhos e convidar (e insistir!) para tomar café uma pessoa que lhes diz boa tarde, obrigada, até à próxima apenas por uma questão de educação.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A vingança da entidade patronal

Meses a gabar-me "ah e tal que eu demoro 10 minutos a pé até ao trabalho", "ah e tal que eu tenho o luxo de poder vir almoçar a casa", "ah e tal é só descer a rua".
E amanhã só me resta chorar "ah e tal eu até gostava de dar a desculpa de não ter transporte para não ir trabalhar, mas NÃO POSSO!"

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mas na realidade ninguém se despacha

A vida na Função Pública resume-se a despachos, comunicações, despachos, ponto (relógio de ponto, tolerância de ponto), despachos, despachos e mais despachos.
Triste vida.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Um dia inteiro numa conferência

para ouvir o José Manuel Pureza, ilustre deputado e líder parlamentar do Bloco de Esquerda afirmar:
"Eu não gosto de ideias que estão na moda. Desconfio sempre de ideias que são defendidas por muita gente."
É por isso que, apesar do poder pertencer ao povo, é sempre melhor que seja o Comité Central a mandar, já que ideias defendidas pelas maiorias (vulgo democracia) são sempre de desconfiar.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Da minha janela vejo o país (II)

Da minha janela vejo uma das colinas de Lisboa. Da minha janela tenho um retrato do país.
Vejo um bairo histórico com o charme da decadência. Um quadro de Vieira da Silva com setenta anos de atraso. Os telhados apodrecidos. As velhas antenas de televisão.
Vejo prédios velhos, sujos, com traseiras em vias de derrocada. Varandas com a tralha ferrugenta que já não se quer em casa, mas que que não se deita fora porque os tempos não estão para desperdícios. As toalhas roçadas estendidas.
Não posso deixar de imaginar o interior destas casas velhas. A escuridão e a humidade das paredes porque as janelas não são viradas para o sol ou porque as cortinas estão sempre corridas para esconder as vergonhas das vidas.
Famílias muito grandes para espaços tão pequenos.
Idosos muito sozinhos para espaços tão grandes.
Demasiadas pessoas para uma única pensão e um parco subsídio.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A quem fala na "outra metade da laranja" ou procura desesperadamente a "cara-metade", apetece-me responder que "Para ser grande, sê inteiro Nada teu exagera ou exclui"* e "You and me we're meant to be walking free in harmony"**.

*Ricardo Reis
** Rome wasn't built in a day, Morcheeba

terça-feira, 9 de novembro de 2010

As pedras no caminho

A crise inspirou-me. Estou a tentar tornar-me uma pessoa melhor.
Ando a descobrir as alegrias de viver com menos dinheiro e menos bens materiais. Do minimalismo. Do aproveitar os pequenos prazeres da vida. Do voluntariado e da doação a quem precisa mais do que eu. Da alimentação saudável e do "só uma sopinha para o jantar".
As alegrias de mais literatura e menos internet. De acordar ao fim-de-semana sem ressaca.
As alegrias de uma relação a dois (já a três e quatro e cinco será um desafio mais complicado). Até ando lentamente a tentar deixar de ver notícias.
As alegrias de reclamar menos e aceitar o que a vida me dá. De evitar pessoas tóxicas. De ver as (poucas) coisas boas do meu trabalho. De aproveitar as meias manhãs de fim-de-semana. De tomar grandes e reconfortantes pequenos-almoços.
Mas por melhor pessoa que eu me torne, por mais zen-quase-a-atingir-o-nirvana-e-ser-amiga-pessoal-do-Dalai-Lama que eu seja, não creio que alguma vez venha a compreender a alegria de acordar com o despertador e de me levantar às oito da manhã. Às nove e meia eu ainda acredito, mas mais que isso só mesmo na próxima encarnação e num país onde faça sempre sol e calor.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Da minha janela vejo o país (I)

Da minha janela vejo uma das colinas de Lisboa. da minha janela tenho um retrato do país.
Vejo as árvores dos jardins de casas antigas, apalaçadas, herdadas por quem as estima e dá valor, sabendo quanto vale um pequeno oásis no centro da cidade, um jardim frondoso e o inevitável espaço para estacionar a larga frota automóvel.
Vejo também umas quantas penthouse no topo de edifícios recuperados e pintados de fresco. Com terraços grandes e bem aproveitados por quem sabe que o melhor de Lisboa é a luz e a vista sobre o rio. São terraços com plantas, quase árvores, elegantes guarda-sóis que não fazem publicidade à Olá ou à Sumol, espreguiçadeiras que substituem o solário. Terraços onde se aproveitam os primeiros raios de sol quente da Primavera e os últimos no Outono. Onde se bebe vinho verde gelado nos tórridos fins de tarde de Verão.
São as casa das eterna famílias de bem. São as casas dos jovens casais cool da cidade. Os que vão resistindo.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um dia eu vou mandar uma boca às pessoas que andam aos pares ou aos "tripletes" nos passeios com um metro de distância entre elas e sempre aos ziguezagues, impedindo qualquer ultrapassagem por parte de pessoas com mais o que fazer.
Hoje foi o dia.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O charme de viver no centro histórico

Cada vez que subo uma das colinas de Lisboa carregada com sacos do Mini-Preço, parece que oiço a Odete Santos por cima do meu ombro a declamar a Calçada de Carriche.

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada
(...)
Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.

(...)

Chamasse-me eu Luísa e diria que este poema fora escrito para mim. Só não incluo a parte do homem que chega, se serve dela, Luísa não dá por nada porque senão ainda provoco aqui uma crise conjugal.
Mas é um charme que o lado mais proletário da minha vida possa ser descrito em poesia.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Nobreza Decandente

Por vezes sinto-me como uma velha condessa desesperadamente agarrada ao título, mas que guarda os croquetes e os rissóis na carteira quando convidada para uma recepção.
Vivo na zona nobre. Privo com diplomatas. Almoço com Primeiros-Ministros. Lancho com antigas Primeiras Damas. Janto com Prémios Nobel. Mas no fim do dia vai-se a ver e não passo de uma estagiária que mal ganha 800 euros.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

À CP

Tenho uma sugestão para os senhores da CP - aqueles que ganham ordenados altos e bónus por gerirem uma empresa que só dá prejuízo. A bem dizer, eu tenho várias sugestões, tipo a compra de bilhetes online funcionar de facto ou haver desconto de cartão jovem no multibanco e tal.
Mas há uma coisa que eu gostava mesmo mesmo que passasse a existir nos comboios: uma espécie de carruagens temáticas. A coisa talvez seja pouco praticável no Alfa Pendular, nas no IC seria perfeito.
Da mesma forma que no período pré-socrático, havia carruagens de fumadores de não fumadores, podiam existir carruagens para diferentes públicos.
A carruagem para pessoas que querem dormir, onde seria proibido barulho, inclusivamente o uso de telemóveis com som.
A carruagem para pessoas acompanhadas por crianças até aos 10 anos, onde elas podiam correr, gritar, espernear e afins, sem incomodar os demais. Os bancos até podiam ser coloridos e tudo patrocinado pela Disney ou o Panda TV.
A carruagem para jovens que viajam em grupo, falam alto e usam calão em 90% da linguagem.
A carruagem dos velhinhos que carregam a bagagem toda em sacos de plástico que amarfanham ruidosamente durante a viagem completa. Não largam os saquinhos de plásticos, não vá um gatuno roubar-lhes os naperons que bordaram para a prima que vive em Lisboa e nunca pode ir à terra. Que isso agora é uma malandragem que não se pode. Também são estes velhinhos que trazem sempre a bucha que comem alegremente com a boca aberta, porque os ouvidos também comem e não há nada que dê mais gosto à comidinha que o barulho que se faz a mastigar. É curioso como TODOS os velhinhos levam SEMPRE o lanchinho (embrulhado no saco de plástico, lá está). É como se tivessem medo que numa viagem de duas horas lhe dê uma fome tal que os corroa por dentro até desaparecerem, qual combustão espontânea.
Assim, quando uma pessoal normal fosse comprar um bilhete, pedia para a carruagem das dormidas. Ao que o senhor vendedor dizia "xiiiiii, ao tempo que isso esgotou. Agora já só tenho para a carruagem dos velhinhos ou das crianças. Qual quer?"
Primeira classe, senhor, primeira classe.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Em modo quasi rigor mortis

Este blog voltou a estar em estado quase terminal.
Já não é por falta de ideias. É porque a entidade patronal da autora decidiu enchê-la de trabalho esta semana. Trabalho suburbano, inútil, mal-feito, monótono, estupidamente caro (mas afinal para algum lado têm que ir os milhões gastos em eventos e publicidade), para Ministro e seus gnomos verem. Mas trabalho. Muito.
Assim, a autora deste dignissímo blog está mais para morrer no sofá com a baba a escorrer-lhe do canto da boca e a manchar as bonitas e caras almofadas da Zara Home do que para grandes devaneios ensaístico-literários.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Marcelo Rebelo de Sousa e as lições do aborto

Marcelo Rebelo de Sousa, tão defensor da aprovação do Orçamento de Estado, devia fazer um videozinho ao estilo da campanha para o referendo do aborto:
"O OE é uma merda? É.
Mas devemos aprová-lo na mesma? Sim.
O OE vai aumentar o desemprego? Vai.
Mas devemos aprová-lo na mesma? Sim.
O OE vai estagnar a economia? Vai.
Mas devemos aprová-lo na mesma? Sim.
O OE vai aumentar os impostos, levar a mais fuga fiscal e logo a menos receita? Pois.
Mas devemos aprová-lo na mesma? Sim.
O OE está a ser elaborado por um governo que já perdeu toda a credibilidade para tomar decisões políticas sobre o presente e o futuro do país? Está.
Mas devemos aprová-lo na mesma? Sim."
(Para ser lido imaginando a figura do senhor professor com o dedinho a girar ora para um lado, ora para o outro).

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Freaks and Geeks

Eu acho maravilhoso que pessoas que se auto-denominam "um bocadinho geek" precisem que eu lhes explique como fazer zoom e puxar um mapa no google ou como podem aceder ao Outlook.
Se calhar sou eu, que assumidamente não percebo muito de informática, também estou equívocada quanto ao conceito de geek. Se calhar não é uma pessoa que adora gadgets e percebe imenso de computadores e programação e playstations e afins. Se calhar é só uma pessoa que se veste à anos 80 e usa óculos enormes sem graduação.

Um país ao contrário

Pausa de cinco minutos na falta de vontade de escrever sobre a situação do país. Porque o país está mesmo ao contrário.

Toda a gente culpa os últimos 15 anos de governação socialista pelo estado do país e das finanças públicas. Dizem que o Primeiro-Ministro não tem carácter, mentiu ao país e, por causa disso, tomou tardiamente as medidas que se exigiam. Que é arrogante e autoritário. Que o aumento de impostos vai estrangular o possível crescimento económico. Que tem que se cortar mais na despesa pública. Que não há dinheiro para grandes obras públicas. Que este governo já está com os dias contados.
Mas, apesar de tudo isto, é o líder do PSD que pressionam para viabilizar um OE formulado por um governo incompetente. Dentro e fora do partido. Até os administradores dos principais bancos portugueses se vão encontrar com Passos Coelho para o convencer a aprovar. Mas está tudo doido em Portugal?
Porque é que não há pressão sobre o governo para fazer um OE aceitável? Porque é os senhores banqueiros não pedem audiências ao PM para o convencer a ceder e fazer um orçamento melhor? Se calhar porque a subida de impostos não os vai afectar a eles... Porque é que gente do PSD, cujo líder ainda tem credibilidade e não tem culpas no cartório, o pressiona, quando deviam ser os militantes do PS a exigir do seu Secretário-Geral alguma coerência e competência?
Uma nuvem de insanidade abateu-se no país. É a única explicação.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O cinzento dos dias

Parece que a inspiração tão depressa veio como se foi. Entre:
- Um trabalho de que não gosto, mas pelo qual e dado o panorama laboral, eu só posso estar agradecida;
- As aulas de Urdu (sim, eu sou uma pessoa persistente... ou alguém que não saber quando deve desistir)
- Um curso online sobre Asilo e Refugiados, que supostamente só me roubaria 45 minutos por dia, mas que me tem feito perder horas só a tentar compreender como o site funciona.
- O curso de escrita criativa (tem dado um resultadão, hein)
- As viagens Lisboa - Coimbra - Lisboa
O tempo fica escasso. Mais o tempo de pensar em que escrever do que a escrita em si mesma.
Falarei de quê? Das edições limitadas dos vernizes Chanel que toda a gente parece usar menos eu? Da chantagem política que antigos dirigentes do PSD, um dos quais deu alegremente de frosques e agora vem dar bitaites, estão a fazer ao Passos Coelho? Da Moda Lisboa, a que posso perfeitamente fingir que fui, pondo aqui umas fotos do Filipe Faísca? Da falta de carácter e vergonha na cara do Primeiro-Ministro? Do concerto dos U2?
São dias difíceis estes. Dias de tédio, de falta de esperança, de conversas iguais e igualmente más. Dizem que a necessidade aguça o génio. O meu, coitadinho, ainda não saiu da lâmpada mágica. Está lá, abrigado da chuva e do frio que já começa a apertar quando saio de casa de manhã. Não está com ar de quem quer sair de lá tão depressa. Por muito que eu esfregue.